Notícias de junho 2017

Sistemas Estruturais para concepção de projetos hospitalares – Compartilhando Experiências

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Olá a todos!

Na última matéria trouxemos o assunto tecnologia e suas inúmeras possibilidades na área de telecomunicações aplicadas às edificações da área da saúde, principalmente hospitalar.

Vamos continuar no tema tecnologia, mas com outro foco, talvez menos presente no cotidiano das pessoas, talvez uma tecnologia mais de bastidores, mas com relevante impacto no resultado final das edificações: a tecnologia aplicada à engenharia estrutural.

A chegada do conceito BIM (Building Information Modeling) ao mercado brasileiro já beira os 15 anos, mas continua sendo um convite para um novo olhar da arquitetura e da engenharia com relação à forma de conceber projetos. A fase conceitual ganha maior importância e reúne toda a gama de disciplinas necessárias com a necessidade de trabalhar de forma muito mais integrada.

O projeto começa a ser gerado no ventre da arquitetura, baseado no desejo de conceber um novo filho, com função pré-determinada e já com um primeiro objetivo na vida. Chamamos esse objetivo de plano de massas. Após as primeiras células se multiplicarem em forma de rabiscos, que agora chamamos de modelagem, a engenharia estrutural já pode auxiliar na gestação desse novo feto contribuindo com as primeiras análises estruturais do novo projeto, como o esqueleto que começa a ser formado para sustentação do corpo humano.

Com as ideias se multiplicando na arquitetura, a engenharia tem o papel de sinalizar as primeiras reflexões quanto ao terreno escolhido para implantar o novo empreendimento, as análises do tipo de solo obtidas com sondagens geotécnicas que contribuem para traçar cenários físicos e financeiros, baseados em tipologias para as fundações, presença de lençol freático em níveis idealizados para abrigar subsolos, equipamentos que serão necessários e custos compatíveis ou capazes de inviabilizar o “budget” disponível para execução do empreendimento. Análises conjuntas da arquitetura e da engenharia de solos, em relação à cota de implantação da edificação no terreno, podem gerar inúmeros benefícios futuros, tanto para fase de execução quanto manutenção ao longo de toda a vida da edificação.

Outro conceito que beneficia de forma positiva o projeto é a modulação arquitetônica casada com a estrutural. Começar um projeto arquitetônico com uma malha fixa, por exemplo, 1.25m por 1.25m, permite garantir modulação de forros, caixilhos e resultam na possibilidade de uso de vãos estruturais múltiplos dessa mesma malha. A experiência em projetos hospitalares, onde não são incomuns alterações constantes de tipo de ocupação dos ambientes, traz ainda mais relevância para esse importante ponto, por trazer mais flexibilidade a essa necessidade.

Falando de racionalização, estudos de modulação das alvenarias com eventuais ajustes nas seções das peças estruturais, tanto no plano horizontal quanto vertical, agregam em muito à qualidade da produção da obra, sem necessidades constantes de quebras de blocos de alvenaria.

Especificamente para hospitais, a escolha dos locais onde ficarão os ambientes de imagens e ambientes técnicos, onde as cargas são maiores, são de suma importância para a viabilidade e o custo final do projeto estrutural. No caso de salas de imagem, há também a necessidade dos estudos dos acessos com os equipamentos para que a engenharia estrutural conceba adequadamente a estrutura das áreas de acesso com relação ao peso que terão que suportar, mesmo que esporadicamente.

Pensando na solução estrutural para o empreendimento, há inúmeros sistemas que podem ser usados, cada qual com suas vantagens e desvantagens.Cabe ao projetista estrutural estudar todo o cenário e apresentar ao seu cliente a melhor solução, tanto do ponto de vista técnico como também econômico, tanto para condição de uso original quanto para possibilidade de expansões futuras.

O bom projeto estrutural é aquele que vai muito além do não ruir, garantindo um bom desempenho e um bom conforto para o usuário e que apresenta facilidade de execução, montagem e manutenção. O bom projeto estrutural é aquele compatibilizado com todas as áreas.

A vida útil de um empreendimento, por muito tempo, foi vista com responsabilidade atribuída ao projeto estrutural, porém hoje é consenso que a responsabilidade pela vida útil de uma obra também é responsabilidade da execução e da sua constante manutenção.

Os terrenos estão cada vez menores e a necessidade de espaços utilizáveis é cada vez maior, o que gera necessidade de peças estruturais cada vez mais esbeltas e, com isso, com menor tolerância para absorver desvios, seja por falhas no cálculo estrutural ou na execução da obra.

A engenharia estrutural conta com o auxílio dos softwares de modelagem e análise de estabilidade e comportamento dos elementos que compõem o conjunto responsável por garantir o desempenho estrutural de uma edificação. Além disso, com ensaios em modelos estruturais, em escala reduzida, é possível conceber projetos cada vez mais arrojados.

Essencial ressaltar, no entanto, que os computadores continuam necessitando da inteligência humana, que precisa também estar preparada para interpretar os resultados e respostas desses softwares. Projetos arrojados necessitam de mãos de obras qualificadas e preparadas para garantir que a execução faça com que as edificações se comportem estruturalmente para função para qual foram projetadas.

O grande desafio, ao final, da engenharia e, em especial, da engenharia estrutural, é atender à expectativa do cliente, entregando um projeto que agregue à obra o equilíbrio entre custo, prazo de execução e qualidade.

O conceito BIM, na sua totalidade, permitirá que o cliente avalie e experimente o seu produto, muito antes do seu nascimento e, assim como todo avanço da ciência no sentido de antever futuros problemas com um bebe ainda no ventre materno, também a engenharia caminha para tal realidade.

Agradeço em especial a Eng. Ana Cláudia Camargo de Oliveira, especialista em projetos de engenharia estrutural, pela colaboração na elaboração deste artigo.

Agradecemos a vocês pela leitura!

Salim Lamha Neto e Ana Cláudia Camargo de Oliveira