Notícias de maio 2017

A automação como ferramenta de gestão hospitalar

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Olá a todos!
Desta vez, trago tema crucial: a automação e o uso da tecnologia para a gestão hospitalar inteligente. Esta escolha começa com o projeto de engenharia e tem reflexos em toda a operação do edifício, significando importante otimização dos recursos disponíveis. Para tanto, convidei o Eng. Eduardo Silva de Oliveira, PMP, especialista neste tema, para colaborar neste artigo.

Desde o surgimento da automação no setor industrial, até a consolidação dos ditos edifícios inteligentes atualmente, houve transformações significativas nesses sistemas, tanto do ponto de vista tecnológico, onde evolução e velocidade de atualização tecnológica foram determinantes, como do ponto de vista da relação dos usuários com os sistemas.

Em 70 anos evoluímos dos dispositivos eletromecânicos e pneumáticos para o conceito de internet das coisas, onde dispositivos do nosso dia a dia são conectados à internet e fornecem informações instantaneamente, com comunicação rápida e atualizada de equipamentos, eletrodomésticos, eletroportáteis, etc. Somado a isso, acompanhamos e nos adaptamos às transformações, desde os dispositivos sem “inteligência”, mas específicos e extremamente técnicos, para os smartphones. A automação deixa de ser uma ferramenta especializada, com uso restrito a profissionais da área, para se tornar acessível a todos, na palma de nossas mãos. Os estabelecimentos assistenciais de saúde não fogem a essa regra!

Antes de comentar como a automação pode ser uma ferramenta de gestão hospitalar, é preciso entendermos que houve um período de consolidação, necessário para provar a viabilidade de implantação dos sistemas de automação. Então, o grande foco dos projetistas integradores e fabricantes era demonstrar os benefícios que a implantação destes sistemas trariam ao edifício hospitalar. Por exemplo, otimização dos recursos energéticos, economia de água, energia e outros insumos da infraestrutura hospitalar. Além do fator econômico, havia o apelo da sustentabilidade e preservação do meio ambiente, com a intenção de demonstrar o valor da automação nesse contexto.

Hoje, os sistemas de automação consolidaram sua posição como ferramenta de otimização de recursos, mas ainda fica restrita a sua utilização por equipes técnicas. Considerando as novas possibilidades e funcionalidades dos sistemas de automação, é preciso quebrar o paradigma, adotando uma visão disruptiva em relação ao sistema, encarando-os como sistemas de gestão da infraestrutura hospitalar, ao invés de considerá-los somente um sistema de monitoramento e controle que lê variáveis, executa comandos e rotinas e gera alarmes baseados em suas leituras. Os novos sistemas de automação tornaram-se, ou irão se tornar, o meio de análise de performance da infraestrutura e uma ferramenta de mitigação de riscos para contribuir para a segurança dos pacientes dos estabelecimentos assistenciais de saúde.

Nessa nova visão, podemos separar os sistemas de automação em dois grandes módulos. Um que trata da eficiência operacional e outro que aborda a interface e segurança dos pacientes.

No primeiro módulo, o sistema terá como função principal gerar KPI de máquinas, equipamentos, de toda sua infraestrutura e da equipe de manutenção. Como exemplo, equipamentos de imagem de centro de diagnósticos, que possibilitam a geração de indicadores de consumo de energia e água por números de exames realizados. Comparando esses resultados entre as diversas unidades de uma rede, torna-se possível analisar os fatores que ocasionam as variações de consumo e focar as melhorias onde se tem o pior desempenho.

Essa medida pode ser aplicada aos diversos equipamentos e máquinas da infraestrutura: chillers, bombas, fancoils, câmaras frias, equipamentos de diagnóstico geral. Estes KPIs poderão ser utilizados para verificar consumos da infraestrutura hospitalar por número de pacientes, de leitos, por um determinado procedimento etc, gerandodados e informações cruciais para o planejamento e tomada de decisão em questões estratégicas e operacionais.

Pensando na gestão da equipe de manutenção, é possível aperfeiçoar e medir processos, utilizando ferramentas de padronização das atividades. Por exemplo, ao colocar-se um equipamento no “status” em manutenção no sistema de automação, este poderá apresentar ao profissional os procedimentos a serem realizados e o tempo estimado para a tarefa. Isso permite medir o desempenho dessa equipe e evitar a realização de procedimentos desnecessários naquela determinada atividade. Esta ação está totalmente alinha ao processo de lean manufacturing que atualmente é aplicado nos hospitais.

No segundo módulo, as estratégias são para dar conforto e facilidades, garantindo a segurança do paciente, utilizando restrições na infraestrutura para impedir que estas saiam dos parâmetros de segurança. Por exemplo, o controle local de temperatura, umidade e pressão de um centro cirúrgico, que jamais poderão ser alterados, por conta das normas vigentes.

Outra alternativa é introduzir opção de controle de ocupação, por exemplo em centros cirúrgicos, criando dados históricos de utilização do ambiente, reduzindo o uso do sistema de ar condicionado ou garantindo pressão da sala, mesmo em situações sem utilização.

Para ter sucesso na implantação, é necessário que toda a infraestrutura esteja preparada. Em um novo edifício, esse conceito deve ser adotado desde o início, adotando esta premissa ainda na fase de projeto, permitindo planejamento adequado com ganhos significativos. Essencial contar com profissionais capacitados e com conhecimento suficiente para planejar a infraestrutura pois, muitas vezes, o posicionamento adequado de um simples sensor pode influenciar o investimento. Há que se ressaltar ser possível a implantação em infraestruturas existentes, ainda que com maior impacto, pois não foram pensadas com essa nova visão.

A grande vantagem de se utilizar o conceito de gestão da infraestrutura é a atuação de forma preditiva, utilizando os dados, números e informações históricas adquiridos para definir previsões e tendências, permitindo a atuação antes que os problemas e falhas ocorram, possibilitando maior disponibilidade dos serviços, gerando ou garantindo maior produtividade e, consequentemente, receita.

Outro fator é a mobilidade e disponibilidade da informação, pois, com os dados em nuvem e com a disponibilidade de aplicativos para dispositivos móveis, o acesso à informação pelos gestores e sua equipe torna-se mais ágil e possibilita a atuação eficaz em qualquer situação.

Os ganhos gerados com a esta implantação, do ponto de vista da eficiência energética e operacional, serão atrativos em relação aos investimentos necessários, mesmo sem levar em consideração o valor agregado, em razão das novas ferramentas de gestão, que tornarão a implantação um excelente negócio para as instituições de saúde, uma vez que ampliarão o leque de informações disponíveis para decisões estratégicas.

Agradeço a vocês pela leitura e críticas e até logo!

Um abraço,

Salim Lamha Neto