Notícias de abril 2017

Reserva técnica na engenharia e na arquitetura: impactos negativos na construção e manutenção do edifício hospitalar

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Olá a todos!Salim Lamha

Primeiramente, agradeço pelo convite da Administradores Prime, cuja equipe foi muito gentil ao me oferecer um espaço para falar de temas tão sensíveis para nós que atuamos no meio hospitalar.

Sou engenheiro industrial, modalidade mecânica, formado pela FEI, acadêmico da Academia Brasileira de Administração Hospitalar, sócio-fundador, ex-presidente e membro do conselho da ABDEH – Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar, e sócio-fundador da MHA Engenharia Ltda., fundada em 1975. Em minha carreira profissional, tive e tenho a oportunidade de elaborar projetos de engenharia e prestar serviços de gerenciamento de obras nos diversos setores da construção civil, tendo atuado em ambientes hospitalares de diferentes portes e complexidades em todo o país e também no exterior. Por 20 anos, atuei como coordenador científico do Congresso Brasileiro de Administração Hospitalar e Gestão em Saúde, na área de Engenharia e Arquitetura Hospitalar. Atualmente, faço parte da comissão científica do referido evento nas áreas citadas e em hotelaria hospitalar.

Por conta deste histórico profissional, os temas que pretendo abordar girarão em torno da engenharia e arquitetura hospitalar, hotelaria hospitalar, legislação na saúde (RDC 50 e demais da Anvisa relacionadas ao edifício hospitalar), comunicação e humanização no atendimento ao cliente, tecnologia de gestão (de projetos e de obras) e ética em saúde.

Neste mês, falaremos exatamente sobre este último tópico, ética em saúde, trazendo à tona um tema bastante sensível e comum, porém pouco abordado no ambiente hospitalar: a malfadada reserva técnica. É uma prática que implica em uma contrapartida financeira a ser paga a arquitetos e engenheiros por fornecedores de produtos, equipamentos, insumos e lojistas, pela indicação junto a clientes, sejam da área da construção, sejam clientes finais. Em outras palavras, isso acontece quando, por exemplo, o engenheiro determina em seu memorial descritivo um equipamento, ou mesmo uma solução, que não necessariamente é o melhor em termos técnicos, financeiros e para o projeto, mas que implicará ao profissional um bônus dado pelo fabricante ou fornecedor pela sua indicação. Ou, ainda, quando o arquiteto especifica um determinado acabamento ou móvel também pela mesma razão, apenas para obter esta contrapartida financeira, sem que haja necessariamente uma pesquisa por trás do que seria o melhor para o cliente.

Não é difícil entender que esta prática inverte a lógica ética da profissão e mina totalmente a confiança do cliente no profissional. Afinal, como acreditar que a solução apontada pelo arquiteto ou pelo engenheiro que recebe a reserva técnica do fornecedor é a acertada, se o maior motivo para a sua apresentação ao cliente não é técnico, mas ocorre em benefício financeiro do próprio profissional? Isso acaba gerando um laço com o fornecedor que certamente compromete as especificações recomendadas para um edifício de saúde.

Muitas vezes, a prática da reserva técnica vem camuflada: o projeto é oferecido a baixíssimo custo, ou mesmo gratuitamente, com a alegação de parceria, ou indicação em trabalhos futuros. Para o comprador desavisado, que é pressionado a todo momento a baixar custos e aumentar a eficiência da operação, esta opção salta aos olhos e é sedutora. Afinal, não fica claro que o lucro do engenheiro ou arquiteto virá do montante que ele obterá dos fornecedores. No entanto, perguntamos: neste caso, a fidelidade do engenheiro ou arquiteto não pende mais para o fornecedor do que para o seu cliente final? Parece lógico que sim.

A Lei n. 12.378/2010, que regula o exercício da arquitetura e do urbanismo no país, em seu artigo 18 caracteriza como infração disciplinar o ato de “locupletar-se ilicitamente, por qualquer meio, às custas de cliente, diretamente ou por intermédio de terceiros”. O Código de Ética e Disciplina do CAU também condena o ato, determinando, em seu item 3.2.16, que: “o arquiteto e urbanista deve recusar-se a receber, sob qualquer pretexto, honorário, provento, remuneração, comissão, gratificação, vantagem, retribuição ou presente de qualquer natureza – seja na forma de consultoria, produto, mercadoria ou mão de obra – oferecidos pelos fornecedores de insumos de seus contratantes, conforme o que determina o inciso VI do art. 18 da Lei n° 12.378, de 2010”.

É ilegal e antiética, porém ainda bastante comum. Pouco a pouco, no entanto, o mercado e também a classe e as entidades ligadas à arquitetura e à engenharia têm se posicionado firmemente contra esta conduta, uma vez que isso compromete a imagem e a credibilidade de toda a classe. Tanto a ABDEH (Associação Brasileira para o Desenvolvimento Hospitalar) como o CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) fizeram campanhas recentes para conscientizar a respeito da ilegalidade da adoção da reserva técnica.

O cliente tem que estar certo de que o produto foi indicado pelo profissional por sua qualidade, e não porque ele está recebendo uma comissão do fornecedor. Essa dúvida não pode existir, em nome da imagem da coletividade dos profissionais e em favor da sociedade.

Agradeço a vocês pela leitura e críticas e até logo!

Um abraço,

Salim Lamha Neto

Artigo elaborado para o site/revista: Administradores Prime

HOSPITALAR – Feira+Forúm 2017 – Repensar a Saúde: Modelo – Financiamento – Gestão – Assistência

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Repensar a Saúde: Modelo – Financiamento – Gestão – Assistência, este é o Tema Central do 40º Congresso Brasileiro de Administração Hospitalar e Gestão em Saúde, em cooperação com a Hospitalar Feira + Fórum 2017.

Serão quatro dias de reflexão em busca de novos caminhos e soluções para enfrentarmos o momento de dificuldade do Sistema de Saúde no País. 

Nos congressos que abrangem engenharia, arquitetura e hotelaria, a MHA Engenharia, empresa com mais de 42 anos de experiência terá grande participação.

Acesse: http://www.eventosfbah.org.br, faça sua inscrição e participe conosco do maior evento de Gestão em Saúde das Américas!

Revista HealthARQ – Marco 2017

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Hospital Nove de Julho

Em sua 22ª edição, a HealthARQ traz uma matéria especial detalhando os projetos de instalações elétricas, hidráulicas, eletrônicas e de climatização do Hospital Nove de Julho. Essa matéria contou com a participação do Gestor Carlos Eduardo Vera e dos Diretores Raymond Khoe e Maria Elisa Germano.

Clique na imagem abaixo e confira a matéria na integra.